Wabi (詫): origina-se do verbo wabu, que significa esvair, definhar. Com a sua associação à literatura inja (dos que viviam em retiro, afastados da sociedade) bem como às artes do Zen-Budismo durante o período Kamakura (1185-1333) e Muromachi (1333-1573), a sua semântica se transforma em algo positivo. Relaciona-se com a estética da pobreza refinada, ou seja, viver na simplicidade, na valorização do material no seu estado natural, na ausência da ostentação, mas enriquecida de riqueza e liberdade espiritual. 

Sabi (寂): suas origens podem ser encontradas no sabu (esvanecer) e susabi (desolação). É relacionado com a cronologia, com a passagem do tempo e seus vestígios. A inversão do significado acontece com os poetas nos séculos XII-XIII, e o seu uso frequente ocorre no século XVIII. Correlaciona-se à pátina do tempo, à busca da resignação e à descoberta do belo, conectadas primariamente ao estado emocional. A imagem de um ancião repleto de sabedoria ou do musgo nas pedras representam essa estética. 

Wabi-sabi (詫寂), geralmente utilizada nessa díade, caracteriza-se pela simplicidade, que dialoga com o abandono, a singeleza, a naturalidade e a rusticidade, tornando-se uma estética representativa do Japão. 

Referências:

OKANO, Michiko. A estética wabi-sabi: complexidade e ambiguidade. ARS (São Paulo)16(32), 173-195.

KOREN, Leonard. Wabi-sabi: para artistas, designers, poetas e filósofos. São Paulo: Cobogó, 2019.

JUNIPER, Andrew. Wabi-sabi: el arte de la impermanência japones. Barcelona: Oniro, 2004.